Instituto Dona Ana Rosa

São Paulo

Project Info
Instituto Dona Ana Rosa
São Paulo
DATA DE CONCLUSÃO 2013
ÁREA DO TERRENO 60000 m²
ÁREA DE CONSTRUÇÃO 850 m²

Assim que a Perkins+Will foi contratada para o desenvolvimento deste projeto para o Instituto Dona Ana Rosa, ficamos motivados com a possibilidade de auxiliar uma instituição tão significativa para as comunidades mais carentes e desamparadas da cidade de São Paulo e de suas vizinhas. Com tanta história e tradição, desenvolver o trabalho para o IDAR foi uma grande lição de civilidade e cidadania para nossa equipe. Conhecer o trabalho, o dia-a-dia das crianças e de todos os funcionários foi o primeiro passo para entender um pouco mais sobre o universo que, até aquele momento, era novidade na nossa carteira de clientes e atuação. O Instituto Dona Ana Rosa é uma entidade civil sem fins lucrativos, apartidária, sem restrição de credo, raça ou cor, e tem como objetivo o atendimento totalmente gratuito às crianças e jovens de baixa renda em 3 programas conveniados com a Prefeitura Municipal de São Paulo.

É administrado pelos dirigentes da Associação Barão de Souza Queiroz de Proteção à Infância e à Juventude desde 1874. Atua no campo social e educacional com seriedade e firmeza de propósitos, fiéis aos princípios do seu fundador, o Barão de Souza Queiroz.
E o tempo deu-lhe razão: a família segue unida em torno de um ideal de trabalho e solidariedade, de portas abertas para a comunidade e repassando às novas gerações a sua experiência.
O Instituto Dona Ana Rosa tem por objetivo promover a integração entre a comunidade, pais, alunos e funcionários com o intuito de estreitar laços e desenvolver de forma habitual, atividades que propiciem um vínculo entre o Instituto e a família, de modo a assegurar aos usuários seus direitos de atenção básica.
Além disso, desenvolvem atividades culturais, educacionais e esportivas. Podemos descrever nossa filosofia com apenas duas palavras: PROMOÇÃO HUMANA.
Tínhamos como desafio inserir um novo edifício em uma área já edificada em um grande terreno na região da Avenida Francisco Morato, da zona oeste de São Paulo. Este novo edifício está inserido em um conjunto de edifício com uma formação característica de pavilhões com telhados de duas águas que eram antigos galpões industriais.
Tínhamos dois caminhos a seguir: ou reaproveitar a edificação existente, um galpão com poucas qualidades arquitetônicas e não projetado com as finalidades necessárias para a sua ocupação atual; ou poderíamos criar um novo modelo que mostrasse essa transformação do instituto a toda a comunidade, girando em torno deste trabalho assistencial. O Briefing do cliente apontava para a necessidade e vontade de seguir o segundo modelo, onde o novo pudesse ser inserido de forma discreta, mas muito marcante, na vida das mais de 1.500 crianças assistidas pela instituição.
Nossos conceitos de projeto começaram a partir das reuniões onde o termo transformação sempre era muito presente. Outro tema relevante era que o terreno localizado em uma região em franca “transformação”, em virtude da nova linha do metro, podendo se tornar um grande objeto de desejo do mercado imobiliário e uma negociação poderia ser muito importante para a longevidade e manutenção da instituição. Uma obra racional, econômica, limpa (pois as atividades não podem ser paralisadas), de baixo impacto foram alguns dos outros temas abordados.
Ligando todas essas necessidades, pensamos em criar uma “edificação em transformação” capaz de ser ao mesmo tempo um centro de exposições, um teatro, um centro administrativo e um grande incentivo a uma caixa transformadora de uma comunidade sempre colocada a margem das escolhas. Portanto, começamos a imaginar um edifício que poderia se transformar de bloco sólido e monolítico a um espaço onde os vazios são o resultado.
Ainda tínhamos como grande desafio incorporar a diversidade do programa proposto e lidar com a redução da área de intervenção, devido a uma grande desapropriação realizada pelo metro de São Paulo em uma das áreas do IDAR. Nosso programa de projeto é composto de uma área administrativa, salas de reuniões, sala de diretoria, sala de conselho, tesouraria, pagamento, recursos humanos e comunicação, além de recepção conectado a copa e a espera.
O partido arquitetônico é claro: dois volumes conectados formando um espaço provocativo e composto de uma grande base horizontal cinza com característica de blocos e um outro volume, um grande cubo amarelo, que se destaca no conjunto pela verticalidade e a coloração marcante. A unificação e passagem destas peças ficam por conta de uma galeria histórica com vitrines que contam um pouco da trajetória do instituto ao longo dos mais de 140 anos de história na prestação de serviços assistenciais as comunidades carentes.
Como a transformação é o foco do projeto, ao invés de encarecermos a solução com instalações caras e que não estavam alinhadas com as necessidades do Instituto, optamos pela construção e desenvolvimento da YELLOWBOX (uma versão contemporânea da BlackBox) como um dos pontos fundamentais do projeto. A BlackBox tornou-se popular e muito difundida nas décadas de 1960 e 1970, durante o qual o teatro experimental estava muito em voga. Quase todo o armazém ou espaço aberto em qualquer edifício pode ser transformado em uma BlackBox, sende este o grande apelo para os artistas de baixa renda e sem fins lucrativos. A BlackBox também é considerada por muitos como um lugar onde o mais "puro" teatro pode ser explorado, onde os elementos mais humanos estão em foco; desta forma, efeitos visuais podem ser deixados para um segundo plano.
A YELLOWBOX proposta para o IDAR, além de contar com estas características, ainda se integra a galeria aberta aos lindos e relevantes jardins compostos de árvores de grande porte e à horta da instituição, que é responsável pelo fornecimento de alimento para o refeitório.
A volumetria bipartida responde à vontade do cliente de criar espaços flexíveis que possam abrigar funções distintas: artes, exposição e eventos e trabalho. A planta se organiza em dois espaços, em níveis conectados pela galeria de circulação, beneficiados por grandes aberturas que criam verdadeiros pátios e recantos de dimensões generosas, acompanhando os jardins e as vegetações existentes no terreno. O método construtivo aplicado nesta edificação foi o steelframe. Uma obra limpa, respeitosa e equilibrada que evita desperdícios e que contribui para uma mudança e quebra de paradigmas em uma indústria da construção tão habituada com as soluções convencionais de tijolos, concreto e afins.
Como elemento de fechamento, também utilizamos outro tipo de transformação. Optamos por painéis prontos e acabados em uma placa denominada VIROC. O Viroc é um painel compósito constituído por uma mistura de partículas de madeira e cimento. Combina a flexibilidade da madeira com a resistência e durabilidade do cimento, permitindo uma vasta gama de aplicações tanto no interior como no exterior. A sua aparência não é homogénea, sendo uma característica natural do produto. Assim não precisaríamos de pintar e repintar os fechamentos laterais deste monolítico e teríamos a capacidade de criar uma solução onde piso e parede são compostos do mesmo acabamento, gerando economia e unidade. Com está opção de solução conseguimos unificar as diversas atividade e espaço através de arquitetura e acabamentos.
São cerca de 750,00 m2 de nova construção sobre um grande radier existente, que foi completado para alinhar edificação existente a geometria do novo edifício.

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